27 de jun. de 2014

Como fazer uma revisão bibliográfica

A revisão bibliográfica é a base que sustenta a pesquisa científica.
Para conseguir avançar em determinado campo do conhecimento é preciso primeiro conhecer o que já foi desenvolvido por outros pesquisadores.
Atualmente, as bibliotecas digitais têm facilitado e simplificado muito essa tarefa, pois trazem recursos de busca e cruzamento de informações que facilitam a vida de todos.
Preparamos este guia com algumas considerações importantes sobre as revisões de literatura.

1. Saiba aonde quer chegar
Todo texto acadêmico precisa de um “fio condutor”, uma linha de raciocínio que guie a leitura do texto, levando o leitor das premissas às conclusões. Assim, antes de começar a revisão de literatura, leia os chamados “livros clássicos” sobre o tema, para descobrir/relembrar os conceitos e a sideias principais relacionadas ao seu trabalho.
Com uma visão geral sobre o tema, e com os pontos principais em mente, é possível elaborar um roteiro para a revisão de literatura, com os itens e subitens que o texto deverá ter para chegar à sua conclusão. 
Este roteiro é de grande ajuda para manter o foco e não se perder em meio à enorme quantidade de informações a que temos acesso.

O segredo de uma boa revisão de literatura é a organização e o planejamento.

2. Selecione as fontes de referência
As principais fontes a serem consultadas para a elaboração da revisão de literatura são artigos em periódicos científicos, livros, teses, dissertações e resumos em congresso.
Uma boa dica é observar com cuidado as referências bibliográficas de textos já publicados sobre o tema e, desta forma, identificar os autores e os periódicos que são referência na área.

Dê prioridade (nesta ordem) a:

(i) artigos publicados em periódicos internacionais;
(ii) artigos publicados em periódicos nacionais reconhecidos;
(iii) livros publicados por bons editores;
(iv) teses e dissertações,
(v) anais de conferências internacionais;
(vi) anais de conferências nacionais.

Tome cuidado com referências antigas. 
A ciência traz novidades em um ritmo relativamente rápido, por isso deve-se evitar  utilizar referências com mais de dez anos. Se possível, e isso irá depender do tema pesquisado, tente concentrar a maior parte das citações com menos de cinco anos.

3. Escreva de forma clara e objetiva
Evite apresentar a revisão da literatura no formato de ficha de leitura (isto é, o autor “A” disse isso, o autor “B” disse aquilo, o autor “C” disse outra coisa, etc.).  Encontre os pontos de concordância e divergência entre os autores e conte a história da pesquisa. 
Um exemplo de texto do tipo “ficha-de-leitura” é:

Segundo Shingo (1996), a idéia central do Sistema Toyota de Produção é promover um fluxo harmônico dos materiais entre os postos de trabalho, produzindo componentes nas quantidades e nos momentos em que são necessários. Para tanto, a comunicação entre postos de trabalho deve ser promovida de forma eficiente.

Para Ohno (1994), o Sistema Toyota de Produção pode ser resumido como “produzir nas quantidades
certas e no momento em que as partes são necessárias”. O autor frisa a importância do fluxo de informações entre os trabalhadores nas diferentes células ou postos de trabalho.

Observe como os dois autores estão dizendo essencialmente a mesma coisa, apesar de manifestarem  suas ideias de maneira diferente. O seu trabalho como pesquisador é compreender qual a ideia central,  identificar os pontos divergentes e pontos em comum entre os autores e escrever de forma clara e objetiva. 
Os parágrafos acima poderiam ser resumidos da seguinte forma:

A ideia central do Sistema Toyota de Produção é promover um fluxo harmônico de materiais entre  os postos de trabalho, produzindo componentes nas quantidades e nos momentos em que são necessários. Neste sentido é importante promover um fluxo eficiente de informações entre trabalhadores nas diferentes células ou postos de trabalho (SHINGO, 1996; OHNO, 1994).

Veja como o texto fica mais fácil de ler, contendo as ideias comuns a ambos os autores expostas de maneira direta, sem repetições. Além disso, os parágrafos não iniciam com “Segundo Ohno (1994)” ou “Para Shingo (1996)”, ou “De acordo com Shingo (1996)”, que são formas não muito elegantes de redação.

4. Organize os trabalhos consultados
Para a elaboração de uma boa revisão de literatura é preciso pesquisar, selecionar e ler uma grande quantidade de artigos, livros e resumos. E uma boa organização deste material irá facilitar encontrar determinada ideia ou um autor específico  em meio aquela salada de PDFs.

Existem várias ferramentas que permitem gerenciar sua coleção de referências bibliográficas  e que podem facilitar seu trabalho. São os Gerenciadores de Referências
Exemplos importantes são o JabRef, ferramenta em código aberto e muito útil especialmente para quem trabalha com LaTex, e o EndNote.

Essas ferramentas permitem obter os dados das referências diretamente nas bibliotecas digitais,  criam uma base de dados com essas informações, permitem inserir as citações e referências  diretamente nos textos que estão sendo editados, e também organizam a coleção de textos originais  dos artigos. A longo prazo, sua base de dados mantida por um gerenciador de referências é um  recurso muito valioso para procurar referências para citar em seus textos.

5. Evite os principais erros
Errar é humano, mas a banca avaliadora do seu trabalho normalmente desconsidera este tipo de fato.
 Sendo assim, consulte sempre o seu orientador sobre a possibilidade de estar cometendo algum dos 
erros abaixo:

>> Revisão muito breve (por pressa, falta de tempo, desinteresse, etc.); obras e autores essenciais não foram incluídos no trabalho.

>> Revisão construída em cima de muito poucos autores ou estudos. Normalmente, este erro ocorre em paralelo com o primeiro erro, acima.

>> Áreas afins não foram abordadas.

>> Referências incompletas ou erradas, indicando que você na realidade não conseguiu encontrar um fio condutor nas obras que consultou.

>> Ausência de uma seção de conclusões que reúna as ideias principais abordadas no texto.

>> Má organização do material: revisão com seções muito curtas (com um ou dois parágrafos, apenas), com repetição de ideias (o estilo “ficha-de-leitura”), ou sem uma estrutura ou lógica identificável de apresentação.

>> Interpretação ou adaptação de ideias de outros autores para que elas fiquem parecidas ou reforcem as suas.

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Texto adaptado por José Luis Duarte Ribeiro a partir do original elaborado por Flavio Fogliatto e Giovani da Silveira.

7 ferramentas para organizar citações



7 ferramentas para organizar citações


Durante a pesquisa acadêmica uma grande preocupação, além dos prazos de defesa e volume alto de materiais para leitura, diz respeito à organização de referências e citações colhidas durante a pesquisa.
Library-Books
Qual é o melhor jeito de registrar, guardar, organizar e recuperar as citações durante a pesquisa acadêmica?

Confira 7 ferramentas que podem te ajudar a minimizar o caos

É uma plataforma gratuita para armazenar, compartilhar e descobrir referências. Permite a inclusão de materiais que estão na web e seus artigos em pdf.
O Endnote é um software pago que permite a pesquisa em várias fontes e arquivos em pdf, criação de listas bibliográficas, compartilhamento de pesquisas e acesso aos materiais próprios em qualquer lugar. Possui também uma interface web.
É um serviço multiplataforma (web, aplicação para computador, celulares e tablets) que pode ser usado para registro, organização e compartilhamento de qualquer formato de conteúdo e para diferentes finalidades. Suporta texto, imagem, video e audio. Possui recurso de tags. Tanto para uso pessoal, acadêmico ou profissional. Tem versões gratuitas e pagas.
É um serviço gratuito de gestão de referências e uma rede social acadêmica. Através dele é possível não apenas coletar, armazenar e organizar referências, mas produzir colaborativamente artigos acadêmicos.
É um projeto web desenvolvido por um bibliotecário durante a graduação na ECA-USP. Gratuito e sem fins lucrativos, visa oferecer um serviço de organização de fichas de leituras para os usuários.
É um aplicativo para iPad ou Macbook que te ajuda a fazer a gestão de referências acadêmicas. Possui contas gratuitas e pagas. Além de poder também ser utilizado por bibliotecas.
É uma plataforma web gratuita para coletar, organizar, citar e compartilhar sua pesquisa científica. Possui também pluggin para o Firefox e acesso local.
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14 de jun. de 2014

Saudações Cordiais!

Caro Colega Gestor

Vamos caminhar juntos e de mãos dadas pelos caminhos do conhecimento
Ir mais além do que se pode enxergar
Nesta longa jornada, não estaremos sozinhos
Deus nos acompanhará e com certeza nos abençoará
Satisfeitos atingiremos o objetivo de melhorar nossa práxis.


Sejam todos bem vindos!

 Vamos de mãos dadas!

25 de abr. de 2014

Conceito de EaD e o processo ensino e aprendizagem no modelo online
Marilda Massucatto Braga

A modalidade EaD de ensino não é um modismo tecnológico, mas a evolução de um longo processo educacional (PEDROSO, 2006)

A Educação a Distância (EaD) surgiu a partir da integração dos meios de comunicação de massa, rádio e televisão. A distribuição de materiais impressos é realizada pelo correio, atingindo os alunos de diversas e diferentes regiões, que estudam, realizam as atividades propostas e as remetem aos centros de ensino, para avaliação e continuidade do processo, até sua formação.
Com os avanços das Tecnologias da Informação e Comunicação (TIC), tornou-se possível a Educação a Distância (EaD), com suporte em ambientes digitais de aprendizagem acessados via Internet.
A Internet abriu oportunidades para um maior acesso à informação, através de inúmeros sites, blogs, ampliou a comunicação através de redes sociais, emissão e recebimento de mensagens e materiais diversos de forma mais rápida, elaboração de hipertexto e utilização de hipermídias.
Desta forma, a EaD com suporte em Ambiente Virtual de Aprendizagem (AVA) via Internet, pode representar a reconfiguração do espaço geográfico e do tempo em que opera a escola tradicional, de modo a criar a possibilidade de expansão da comunicação e do currículo, mas isso dependerá dos princípios filosóficos e pedagógicos em que é idealizado e estruturado.
Um Ambiente Virtual de Aprendizagem (AVA) poder se tornar um depósito de conteúdos, se o objetivo é a transmissão de informações, como também pode ser um ambiente propício à interatividade, se a intenção for à construção de conhecimentos e/ou sua produção.
Há que se pensar nos fins a serem atingidos, no objetivo a ser alcançado, para quem se destina e em qual contexto.
Para o desenvolvimento de um curso online, com vistas à formação de gestores escolares, considero válido o modelo estar junto virtual[1], em que a interação é primordial no processo ensino e aprendizagem, nesse caso aluno cursista<>objeto do conhecimento<> professor/tutor, respeito ao contexto em que está inserido o cursista, suas expectativas, sua produção decorrente de atividades bem elaboradas e como resultado a construção de conhecimentos significativos para a melhoria de seu desempenho na escola.
A EaD via AVA, fruto  do avanço tecnológico, rompe com o cuspe e giz da escola arcaica e pode revitalizar práticas pedagógicas inovadoras, se nos dispusermos a caminhar de mãos dadas como formadores criativos e  comprometidos com o estar junto virtual.


[1] (VALENTE, 2002)